Lou Lim Ioc (1878-1927) e Lou Kau (1848-1907)
A Casa da Lou Kau fica situada na Travessa da Sé (próximo do Largo do Senado e da Catedral) e era uma das residências da família de Lou Wa Sio, conhecido por Lou Kao e, de acordo com os versos inscritos debaixo do beiral do pátio localizado à esquerda da porta principal, foi construída no 15.º ano da dinastia Qing, ou seja, em 1889. Foi edificada com tijolos de cor cinzenta, tem dois pisos e dois pátios interiores e é um dos poucos edifícios típicos chineses intactos ainda existentes em Macau, embora, também revele a mistura de culturas. É que, se se podem destacar as janelas com lâminas de concha de ostra, as talhas e o alto relevo em tijolo ou o friso decorativo, também se devem referir os elementos ocidentais presentes como o tecto falso, em madeira perfurada (muito comum noutros edifícios em Macau e, também, em igrejas), o vitral e o gradeamento de ferro.
A casa tem uma disposição simétrica e os pátios separam as três salas principais: a Sala da Entrada, a Sala de Chá e a Sala dos mais velhos, no piso térreo, o que revela a estrutura hierárquica tradicional das famílias chinesas, pois os espaços interiores eram privados, reservados aos membros mais velhos da família. Se as madeiras (biombos e arcos em talha, separadores das divisões) e os relevos decorativos nos prendem a atenção, a falta de mobiliário antigo nos deixa a pensar que o vazio que exibe se fica a dever à tragédia que se abateu sobre a família.
Não se sabem muitas coisas mas o suficiente para nos deixar perturbados; Lou Kau, uma das pessoas mais influentes da sua época, suicidou-se, tendo votado a sua grande família ao desespero e à pobreza. Os motivos não se conhecem ao certo, mas julga-se que se podem prender com questões relacionadas com a proibição, em Hong Kong, de uma lotaria, também, com a ajuda a um seu amigo, mandarim de Cantão, refugiado em Macau por ser procurado pelas autoridades chinesas, e, ainda, com o apoio a revolucionários chineses, tentando que as autoridades portuguesas fechassem os olhos. Pode ter sido por uma destas razões ou por todas, a sua morte continua um mistério. O que se sabe é que Lou Kau era um comerciante abastado, tendo enriquecido com o jogo e o imobiliário - era conhecido como o «rei dos casinos» - e era um tu-cá-tu-lá com o Governador de Macau, sendo conselheiro no que tocava a assuntos da comunidade chinesa. Teve 10 mulheres, 10 filhas e 17 filhos e um deles, Lou Lim Ioc, destacou-se na política e no comércio (e veio a dar o nome ao Jardim mais bonito de Macau). A família era tão influente e respeitada que, quando faleceu, a bandeira esteve a meia-haste, o que sucedeu pela primeira vez por causa do falecimento de um cidadão chinês. Quero dizer: não foi bem assim; cidadão chinês e português, pois Lou Kau obteve, em 1888, a nacionalidade portuguesa, para si e para a maior parte dos seus descendentes, sem perder a de origem…
Este Edifício está inscrito na lista do Património Mundial da Unesco.
Além de poder ser visitado pelo seu interesse arquitectónico, este edifício alberga exposições temporárias e serve de palco a concertos da Orquestra Chinesa de Macau e, ainda, durante o Festival de Música de Macau.