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A Casa do Mandarim


Situa-se na Travessa de António da Silva, junto ao Largo do Lilau. Trata-se de um conjunto de edifícios que eram a residência da família de Zheng Guanying.

A construção foi iniciada em 1869 (de acordo com a placa de madeira com inscrições do salão de Yu Qing Tang, situado no segundo andar) pelo pai de Zheng Guanying. A área total é de quatro mil metros quadrados, o que faz da conhecida Casa do Mandarim a maior residência privada em Macau e desde sempre, tendo vários edifícios, jardins e mais de 60 divisões! É composta por um edifício de entrada, pátios, casas para serviçais e área residencial propriamente dita, estendendo-se por mais de cento e vinte metros ao longo da Rua da Barra. 

O conjunto de casas tem as características típicas de uma residência tradicional da região de Cantão, como a entrada recuada, o uso de paredes de separação entre espaços e de conceitos de geomância (como a introdução de plantas verdes, na entrada, para afastar más influências, por exemplo), talhas em madeira, biombos, jardim murado, portas com entalhes elaborados e baixo-relevo decorativo a representar histórias tradicionais. No entanto, também se acham elementos da arquitectura ocidental como o tecto falso do edifício da entrada, o pórtico em arco abatido, as colunas com capitel e decorações em estuque sobre as portas. Ainda e curiosamente, tem placas de madrepérola nas janelas (característica de origem indiana).

Desde meados do século passado, quando os descendentes da família Zheng se mudaram para outros países, muitos espaços da Casa foram arrendados até à década de cinquenta, entre os quais a alguns portugueses, e em 2001, quando o Governo tomou posse da propriedade, encontrou-a muito degradada e sem parte do mobiliário e outros pertences da família. 


Foi restaurada e, hoje, faz parte do património mundial da Unesco. Em exposição, mostram-se fotografias antes do restauro e sobre a intervenção ocorrida, bem como se exibem os materiais utilizados. E, também, cópias de fotografias de Zheng Guanying e da família e cópias de vários documentos (cartas, a árvore genealógica, o testamento) … 

Zheng Guanying (1842-1921) foi comerciante (negociava em chá e sal), poeta, filósofo e autor de uma obra famosa - Shengshi Weiyan (Advertências em Tempos de Prosperidade), uma obra que, segundo dizem as críticas, resume o conceito de capitalismo chinês (por isso, consta, foi esquecido depois de 1949), embora cheia de conselhos práticos que não esquecem o altruísmo e que foi o livro mais vendido na época, tendo conhecido várias versões ampliadas. A primeira publicação data de 1890. 

Era natural de Zhongshan, na província de Cantão, e a sua família residia em Macau há já várias gerações. Aos dezasseis anos mudou-se para Shanghai por causa dos negócios, voltando a Macau em 1886. Em Shanghai sempre esteve atento à política e estudou a cultura ocidental, sendo activista no movimento de ocidentalização de algumas ideias que influenciaram Sun Yat-Sen e Mao Tse Tung.