A Igreja foi construída em 1885, e marca a chegada
dos Portugueses à Taipa. É ainda a única igreja católica na ilha.
Está classificada como Monumento.
No princípio do séc. XIX, Macau correspondente à península de 3,3 km2, compreendendo a cidade cristã, o bazar, as aldeias chinesas e ainda um espaço rural ocupado com produções agrícolas e com sepulturas.
A cidade cristã era assim designada por ser a zona de implantação da população portuguesa ou luso-asiática, onde a residência de chineses sempre fora desencorajada.
A cidade era rodeada por obstáculos naturais ou por muralhas, cujas portas se fechavam à noite, e situava-se na parte sul da península, ocupando entre um quarto e um terço da sua área. Estendia-se até ao porto interior; do lado leste, sobre a baía da Praia Grande, ladeada pelos fortes de S. Francisco e do Bom Parto; no prolongamento deste situava-se a colina da Penha, encimada pela igreja do mesmo nome; do lado nordeste ficava a colina e a fortaleza da Guia e do noroeste terminava na fortaleza do Monte, confinando a norte com as várzeas cultivadas.
Do ponto de vista urbanístico, a cidade estava estruturada em função dos edifícios importantes em termos políticos, como o Senado, ou em termos religiosos, como igrejas e conventos, edificações que eram os pólos de aglutinação das residências portuguesas, construídas numa arquitectura de raiz europeia com algumas influências orientais. No extremo norte situava-se o bairro de S. Lázaro, zona de implantação dos chineses cristãos.
Os padrões urbanísticos da cidade cristã têm sido definidos como mediterrânicos, com os seus largos, ruas e travessas dispostos de forma irregular e não racionalizada.
Com a Guerra do Ópio (1839-1842), o equilíbrio de forças modificou-se e, derrotada, a China foi obrigada pelo Tratado de Nanjing (1843) a conceder facilidades comerciais e a abrir portos às nações estrangeiras, bem como a ceder a ilha de Hongkong à Inglaterra.
Portugal apelou ao reconhecimento de Macau como possessão portuguesa. Liberta-se da tutela de Goa, fica na dependência directa da metrópole, como cabeça de uma província que englobava Timor e Solor e torna-se porto franco, um primeiro passo no sentido de se libertar da tutela alfandegária chinesa.
Em 1846, inicia-se o consulado de Ferreira do Amaral que vai expulsar os mandarins da cidade e sujeitar a população chinesa ao pagamento de impostos.
Entretanto, a par do crescimento político dos seus poderes, as autoridades portuguesas procederam a um alargamento da cidade em direcção ao território fora das muralhas e às ilhas vizinhas, com a construção de um plano de estradas, ligando as portas das muralhas da cidade às chamadas Portas do Cerco, determinando a apresentação dos títulos de posse das propriedades implantadas no território extramuros, e o pagamento dos respectivos foros.
Entretanto, as aldeias chinesas das ilhas de D. João e da Montanha colocar-se-iam também, ao que parece voluntariamente, sob protecção portuguesa. Porém, nenhuma autoridade portuguesa, civil ou militar, aí instalou residência.
Resumo de Macau no século XIX: um território, dois impérios, de José Vicente Serrão