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Altar da Travessa da Ponte

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Altar da Travessa da Ponte

A antiga religião chineza não é, assim, senão um pantheismo extravagante, reconhecendo os deuses protectiores do trovão, da chuva, das nuvens; espiritos das sementes, das arvores, das flores; immortaes e independentes dos hings, ou santos, que foram os legisladores, os philosofos, os poetas, etc.

Esta religião do Celeste Imperio divide-se em duas partes, ou verdadeiras seitas religiosas: uma toda especulativa e falta de base espiritualista, prestando-se a todas as superstições e extravagancias, outra, puramente philosofica, e professando o respeito absoluto pela tradição e o horror ao progresso. Mais tarde é que veiu a terceira, o budhismo, cujos principios abstractos deviam ter notavel importancia na China, e que ainda hoje ali se mantêem.

No Oriente, de Napoles a China (diario de viagem), Adolpho Loureiro, 1896

O Templo de Shi Gandong

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2 Templo de Shi Gandong 
3 Templo de Shi Gandong 4 Templo de Shi Gandong 5 Templo de Shi Gandong 
6 Templo de Shi Gandong 7 Templo de Shi Gandong

Fica situado na Travessa da Ponte, no Bairro de San Kio, e era originalmente uma tabuleta de pedra esculpida. Foi construído no 20º ano do reinado de Guang Xu, Dinastia Qing (1894). 

Dedicado a Shi Gandang, uma divindade protectora de maus espíritos, enviada por Bixia Yuanjun - a Imperatriz da Montanha Tai (na província de Shantong) conhecida por Fada do Céu.

Os dísticos no portão, em pedra, indicam: É o juiz do certo e do errado que estabelece a norma eterna; não julgue somente os outros, mas também a si mesmo. O juiz tem por missão manter a felicidade e prosperidade.

Este é um dos poucos templos existentes no mundo dedicados a esta divindade, pois a maioria dos monumentos que lhe são dedicados são simplesmente tábuas de pedra.

O Templo de Pak Tai

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5 templo de Pak Tai 12 templo de Pak Tai 
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Este templo foi construído em 1844, e situa-se na Taipa, no Largo de Camões. Está classificado como Monumento

Segundo a lenda, Pak Tai, o Deus do Norte, uma divindade taoísta, é simbolizado por uma tartaruga e uma serpente. Mas este templo também é dedicado a Va Kuong (Deus do Fogo), Kum Fa (Deusa das Flores Douradas, protectora das Crianças), Kuan Tai (Deus da Guerra e das Riquezas), Choi Bak (Deus da Fortuna) e Lu Ban (Deus dos Carpinteiros). Os caracteres chineses “Long Tao Wan”, gravados no tripé e no altar, significam o antigo nome da Taipa. 

Pak Tai encontra-se ladeado pelas efígies de Choi Pac Sing Kuan (Deus da Prosperidade), Guan Sing Tai Kun (Senhor Guan do Cavalheirismo) e Kam Fa Fu Ian (Dama da Flor Dourada) em altares laterais.

Também é conhecido por Chen Mou Dai Tai (Senhor da Água) e Yun Mou Dai Tai (Imperador Supremo do Céu Setentrional) . Segundo a lenda, comanda todo o hemisfério setentrional e é o deus das águas. As gerações mais velhas consideram que foi um príncipe do reino Ching Lok, na era do Imperador Amarelo, de estatura elevada e corpo atlético, que teria passado 42 anos na Montanha das Fadas a aprender os segredos da imortalidade. Alcançou a iluminação e ascendeu aos céus onde o Imperador de Jade Celestial lhe conferiu o título de “Yun Tin Sheung Tai”, Senhor Supremo do Céu Místico.

A construção do templo explica-se pelo facto de Macau ter sido um porto e aldeia de pescadores e, por isso, a vida dos seus habitantes estava intimamente ligada ao mar. Estes suplicaram ao Imperador do Norte que canalizasse a água do Norte para Macau, esperando que ele abençoasse esta terra e as suas gentes com bom tempo para as pescarias e os livrasse dos perigos do mar.

Altar na Rua Direita Carlos Eugénio

altar na rua direita carlos eugénio
Altar na Rua Direita Carlos Eugénio
Taipa

O Templo de Lou Pan

1 templo de lou pan 2 templo de lou pan 
3 templo de lou pan 4 templo de lou pan

É um pequeno templo na Rua de Camilo Pessanha dedicado a Lou Pan, conhecido por Mestre dos três oficios. Foi um artesão famoso e, por isso, é o padroeiro de artesãos e operários da construção civil e da construção naval.

Altar na Rua de Fernão Mendes Pinto

8 Templo de Sam Po
Altar na Rua de Fernão Mendes Pinto, Taipa

O espantado olhar do viajante português por terras do imperador (…). 

Curiosidade e interesse perante a China estão patentes no Regimento de Almeirim, através do qual o rei D. Manuel encarrega, em 1508, Diogo Lopes de ir a Malaca recolher informações sobre esta nação: 

«Perguntareis pelos chins, e de que partes vêm, e de quão longe, e de quanto vêm a Malaca, ou aos lugares em que tratam, e as mercadorias que trazem, e quantas naus deles vêm cada ano, e pelas feições de suas naus, e se tornam no ano em que vêm, e se têm feitores ou casas em Malaca, ou em outra alguma terra, e se são mercadores ricos, e se são homens fracos, se guerreiros, e se têm armas ou artilharia, e que vestidos trazem, e se grandes homens de corpos, e toda a outra informação deles, e se são cristãos, se gentios, ou se é grande terra a sua, e se têm mais de um rei entre eles, e se vivem entre eles mouros ou outra alguma gente que não viva na sua lei ou crença, e se não são cristãos, em que crêem, ou a que adoram e que costumes guardam, e para que parte se estende a terra». 

A estas questões, e até certo ponto, responde D. Frei Amador Arrais (1530-1600), bispo de Portalegre, nos seus Diálogos: 

«o que tenho por verdadeiro é ser muito espaçosa. Os Chinas são avantajados nas artes e engenho; de maneira que uns pelejam com esforço e valentia; outros com ardis e artifícios. Toda esta região é muito fértil (…) todos têm curiosidade no comer (…). Vestem-se custosamente de algodão, lã, sedas tecidas com ouro (...). São inclinados a jogos, e passatempos, e amores de mulheres, e a instrumentos músicos, e a sortes e agouros. (…) As casas são sumptuosas, magníficas e de formosa estrutura. Os templos amplíssimos, cheios de muitas estátuas e pinturas.» (...) 

Galiote Pereira no Tratado: 

«toda a gente da China, comerem em mesas altas, assentados em suas cadeiras, da nossa mesma maneira, e tudo limpo, posto que seja sem toalhas nem guardanapos, mas como tudo lhe vem cortado à mesa, e terem por costume comerem com dois pauzinhos sem tocarem em nada com a mão, como nós com as colheres (...). E assim no comer como em tratarem uns com os outros são homens de muita cortesia. (...) Nós chamamos a esta terra China e à gente dela chins, e porque aos naturais desta terra (...) nunca tal nome ouvi, determinei de saber como se chamava (…) e disse-lhes que os portugueses que tomaram o nome de uma cidade que há em Portugal, a mais antiga, e assim as mais das nações tomam os nomes dos reinos (...) que me dissessem se havia alguma cidade que se chamasse ´China´; sempre me responderam que tal nome não houvera». 

A Familiarização do Outro: o «espanto» e a comparação no Tratado de Galiote Pereira, Rogério Miguel Puga

O Templo de Sam Po

1 Templo de Sam Po 2 Templo de Sam Po 
3 Templo de Sam Po 4 Templo de Sam Po 
5 Templo de Sam Po 6 Templo de Sam Po 7 Templo de Sam Po


Situa-se na Rua de Fernão Mendes Pinto, na vila de Taipa e está classificado como Monumento.

O templo inicial foi erguido em 1845, sobre uma enorme rocha na qual foi escavado um relicário. É dedicado a Sam Po, divindade que se crê ser a terceira irmã da Deusa Tin Hao (Deusa do Céu), e tornou-se venerada pelo auxílio prestado na luta contra a pirataria. Foi restaurado em 1995.

É construído de acordo com as regras arquitectónicas tradicionais do Sul da China, com a caligrafia, as pinturas, os desenhos coloridos, as esculturas sob o alpendre e as portas duplas, os tijolos e as telhas …

O Templo de I Leng

1 Templo de I Leng 4 Templo de I Leng 
2 Templo de I Leng 3 Templo de I Leng 5 Templo de I Leng

O Templo de I Leng, também conhecido por Ka Sin Tong, situa-se na vila da Taipa, na Rua Direita Carlos Eugénio.

Foi construído em 1900. É dedicado a I Leng Da Dai, o Deus da Medicina. Diz-se que I Leng é a personificação de um conjunto de divindades, de médicos de renome da antiga China, incluindo Hua Tuo, o Imperador Yan, Sun Ssu Miao, Bian Que, entre outros. 

Está classificado como Monumento e alberga muitas relíquias históricas, dísticos verticais, lanternas ao estilo imperial, santuários e placas. Foi reaberto ao culto em 1987, depois de obras de recuperação.

Igreja de Nossa Senhora do Carmo

1 Igreja de Nossa Senhora do Carmo 3 Igreja de Nossa Senhora do Carmo 
2 Igreja de Nossa Senhora do Carmo 4 Igreja de Nossa Senhora do Carmo
A Igreja foi construída em 1885, e marca a chegada 
dos Portugueses à Taipa. É ainda a única igreja católica na ilha. 
Está classificada como Monumento.

No princípio do séc. XIX, Macau correspondente à península de 3,3 km2, compreendendo a cidade cristã, o bazar, as aldeias chinesas e ainda um espaço rural ocupado com produções agrícolas e com sepulturas.

A cidade cristã era assim designada por ser a zona de implantação da população portuguesa ou luso-asiática, onde a residência de chineses sempre fora desencorajada.

A cidade era rodeada por obstáculos naturais ou por muralhas, cujas portas se fechavam à noite, e situava-se na parte sul da península, ocupando entre um quarto e um terço da sua área. Estendia-se até ao porto interior; do lado leste, sobre a baía da Praia Grande, ladeada pelos fortes de S. Francisco e do Bom Parto; no prolongamento deste situava-se a colina da Penha, encimada pela igreja do mesmo nome; do lado nordeste ficava a colina e a fortaleza da Guia e do noroeste terminava na fortaleza do Monte, confinando a norte com as várzeas cultivadas. 

Do ponto de vista urbanístico, a cidade estava estruturada em função dos edifícios importantes em termos políticos, como o Senado, ou em termos religiosos, como igrejas e conventos, edificações que eram os pólos de aglutinação das residências portuguesas, construídas numa arquitectura de raiz europeia com algumas influências orientais. No extremo norte situava-se o bairro de S. Lázaro, zona de implantação dos chineses cristãos. 

Os padrões urbanísticos da cidade cristã têm sido definidos como mediterrânicos, com os seus largos, ruas e travessas dispostos de forma irregular e não racionalizada. 

Com a Guerra do Ópio (1839-1842), o equilíbrio de forças modificou-se e, derrotada, a China foi obrigada pelo Tratado de Nanjing (1843) a conceder facilidades comerciais e a abrir portos às nações estrangeiras, bem como a ceder a ilha de Hongkong à Inglaterra. 

Portugal apelou ao reconhecimento de Macau como possessão portuguesa. Liberta-se da tutela de Goa, fica na dependência directa da metrópole, como cabeça de uma província que englobava Timor e Solor e torna-se porto franco, um primeiro passo no sentido de se libertar da tutela alfandegária chinesa. 

Em 1846, inicia-se o consulado de Ferreira do Amaral que vai expulsar os mandarins da cidade e sujeitar a população chinesa ao pagamento de impostos.

Entretanto, a par do crescimento político dos seus poderes, as autoridades portuguesas procederam a um alargamento da cidade em direcção ao território fora das muralhas e às ilhas vizinhas, com a construção de um plano de estradas, ligando as portas das muralhas da cidade às chamadas Portas do Cerco, determinando a apresentação dos títulos de posse das propriedades implantadas no território extramuros, e o pagamento dos respectivos foros. 

Entretanto, as aldeias chinesas das ilhas de D. João e da Montanha colocar-se-iam também, ao que parece voluntariamente, sob protecção portuguesa. Porém, nenhuma autoridade portuguesa, civil ou militar, aí instalou residência. 

Resumo de Macau no século XIX: um território, dois impérios, de José Vicente Serrão