Lotte Errell, 1935
Entre as nações embrutecidas pelo despotismo, ou pela miseria, os individuos, que não podem fruir gosos domesticos dictados pela razão, buscam esquecer as desventuras, que sobre elles pesam, por meio de prazeres violentos, não menos funestos ao espirito que ao corpo; ou, então, se entregam a uma total indifferença acerca da sua mesquinha sorte.
Assim o turco madraço e a e o chim ignorante e miseravel, envilecidos pela superstição, ou pelo despotismo, recorrem ao opio para se embriagarem, ou para excitarem em si próprios sentimentos violentos, posto que transitorios. O mais desaventurado povo da Europa, o inglez, não conhece, por via de regra, outro prazer que não seja attestar-se de cerveja, ou de bebidas espirituosas. Os irlandezes, ainda são mais desgraçados, porque o seu trabalho não lhes rende bastante para comprarem licores fermentados. E em verdade espantosa a porção de bebidas fermentadas que se gastam em Inglaterra; mas se attendermos a quão pequena porção d´opio basta para produzir o effeito de uma canada de cerveja ou de vinho, ver-se-ha que a China deita a barra adiante á Inglaterra em embriaguez.
A introducção naquelle paiz do opio que produz a India, achou-se que foi, durante os nove primeiros mezes do anno de 1828, de 1:800:000 arráteis de peso. Se accrescentarmos a esta quantidade o opio levado da Turquia para a China, teremos uma somma de dois milhões de arráteis, que, avaliados segundo o preço regular de cada arrátel, equivalem a quatro milhões de libras esterlinas, ou pouco mais ou menos 60 milhões de cruzados, que é o dobro da somma gasta cada anno na China, pela companhia das Indias, para a compra do chá. Todavia as leis do imperio chim prohibem a entrada do ópio «como um veneno nocivo ao espirito, ao corpo, e á moral publica.» - O que seria se houvesse liberdade plena para comprar esta mercadoria!
O Panorama: jornal litterario e instructivo da Sociedade Propagadora de Conhecimentos Úteis. VOL III, 1839
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