Entre as curiosidades chinas que se encontrão na visinhanças de Cantão -, e muito principalmente junto a Wampoa, se notão os barcos que servem de residencia aos patos, bem como a seus donos, e familias destes. Crião-se alli grandes rebanhos de patos, assim como entre nós de perús, para abastecimento da capital, porém em ver de os fazer pastar nos campos, esta criação se faz em barcos no rio.
As aves habitão o porão dos barcos, e os seus donos se accommodão nas cobertas dos mesmos. Estes barcos encontrão-se ordinariamente junto aos campos de arroz, proximos aos rios, e principalmente logo depois da colheita, quando as aves tem melhor occasião de allí se fartarem. O dono do barco o conduz de hum para outro logar, conforme as occasiões que encontra de mais abundante pastagem para o seu rebanho. Ao аргоximar-se o barco do sitio escolhido, o dono dá hum signal assobiando, e tudo o rebanho principia a sahir em ordem de marcha por huma portinhola do porão, pausando para terra sobre huma prancha, e se espalhão por toda a parte onde melhor comida encontrão. Logo que o dono julga terem pastado sufficientemente, de novo assobia, para que os patos voltem ao seu aposento; e immediatamente estes ouvem o signal que Ihes he feito, todos se juntão, e se encaminhão para o barco. O primeiro que entra, he premiado com huma mão-cheia de arroz, e o último leva algumas chicotadas para que não seja tão mandrião, a primeira vez que sahir: isto faz, que seja hum divertimento o ver os últimos patos saltando huns por cima dos outros, para escaparem ao castigo que espera ao que tem a infelicidade de entrar derradeiro.
O Archivo Popular, leituras de instrucção e recreio, semanario pintoresco. Vol I (1837).
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