Hedda Morrison, Pequim. 1933-1946
Desde o carregador que traz o leque mettido entre o pescoço e o fato, até ao general que com elle dá ordens no campo da batalha, toda a gente faz uso d’aquelle objecto tão indispensavel ao chinez como o arroz que come, chegando mesmo a verem-se alguns idolos armados de leques ou ventarolas. (...)
Em geral tanto os Ieques como as ventarolas têem de um lado desenhos de paizagens ou figuras, e do outro poesias. As pessoas de distincção fazem uso de leques brancos em que os seus amigos escrevem pensamentos e ditos espirituosos. Antigamente só era conhecida a ventarola na China, até que por uns embaixadores da Corèa foram introduzidos os leques de fechar, no tempo do imperador Ung-Lo, da dynastia dos «Ming», que d’elles mandou fazer uma grande quantidade para presentear os altos funccionarios do estado. Alem dos leques de papel e de seda, ha as ventarolas de bambú entrelaçado, e os que são feitos de folhas de betel, da Formosa, em que por não adherir a tinta, gravam a fogo desenhos delicadissimos.
Muitos homens usam para as leques uns estojos de seda bordada que suspendem de um cinto cravejado de pedras, e com fechos de jade; e as damas trazem d’elles pendentes saquinhos de perfumes que se espalham no ar quando vagarosamente os agitam com as suas mãosinhas de unhas compridas, e tão compridas que para se não quebrarem as envolvem em estojos de oiro ou prata dourada.
Cousas da China, costumes e crenças de Callado Crespo. 1898


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