Michael Steverson. Yangshuo, 2013
Esta ave aquatica, de pés espalmados como lhe cumpre para nadar, é excellente mergulhadora, porque se mantem debaixo d'agua por muito mais tempo que outra qualquer ave maritima: na grandeza iguala a um ganso, mas é mais secca de carnes.
Vive á beira-mar e em logares pouco frequentados; se entrasse terra dentro, em territorio onde houvesse pequenos lagos, despovoava todos. Como póde prolongar o mergulho por muito tempo, e nada debaixo d'agua tão veloz como uma flecha, de raro a preza lhe escapa, e quasi sempre volta acima com o peixe atravessado no bico (...).
Na China domesticam os corvos marinhos e os ammestram a pescar para seus donos: e como elles teem uma pelle ou sacco membranoso por baixo do bico, que se dilata quanto é bastante no acto de entrar o peixe na goela, quando os levam a pescar (depois de ensinados a voltar ao dono) lhes afivelam no pescoço um anel para não poderem engolir a preza. Nos grandes rios da China veem-se estes corvos com a tal coleira, empoleirados na proa dos bateis, e que ao signal costumado partem e mergulham e em breve tornam com o peixe que se lhes tira do bico: continua o exercicio até que o dono satisfeito lhe desafivela a coleira e lhes permitte ir pescar por conta propria.
O Panorama: jornal litterario e instructivo da Sociedade Propagadora de conhecimentos úteis, Vol VIII. 1844
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