A cidade de Macau e vista do seu porto


Porto de MacauNão tem a cidade de Macau mais de umas mil braças de comprido sobre tresentas de largo; e compõe-se de 1:200 fogos com 3500 moradores portuguezes, e 1:300 escravos, afóra a população chineza, que monta a mais de 20:000 almas e vivem de mistura com os portuguezes, mas sujeitos sómente aos seus mandarins. É cabeça de bispado, e tem um cabido, tres freguezias, casa de Misericordia com dois hospitais, um recolhimento de meninas, um seminario de padres da congregação da Missão, e varias ermidas. Tem boa casa de camara, espaçosa alfandega, e palacio do governo. 

A sua guarnição é artilheria e infanteria. Não possuem os habitantes de Macau nem fabricas, nem lavoura; vivem do commercio, ou como escrevia o senado da cidade a el-rei no anno de 1593, «do que pelo mar ganhavam.» Não se occupam em officios mecanicos, excepto os que pertencem á navegação, e por isso em tudo o mais dependem dos chinas, mesmo nos artigos mais necessarios para o sustento e vestuario. Pagam ao imperador um direito pela ancoragem dos navios. No principio do estabelecimento os habitantes governavam-se como entendiam, tendo apenas eleito d'entre si um capitão-mor, que não tinha outra jurisdicção senão a que voluntariamente lhe davam.

Depois que foi cidade, era governada pelo senado da camara: durante os ataques dos hollandezes, carecendo os habitantes de um cabo de guerra, o pediram ao governo de Gôa, que nesse caracter lhe mandou D. Francisco Carrasco.

O Jardim litterario, semanario de instrucção e recreio, Vol.9. 1853

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