Tanta miséria que vista uma vez não se pode tornar a ver

Sidney Gamble
Sidney Gamble Sidney Gamble 
Sidney Gamble Sidney Gamble 
Sidney Gamble Sidney Gamble 
Sidney Gamble Sidney Gamble 
Sidney Gamble Sidney Gamble
Mendigos por Sidney Gamble
China, 1917-1927

Um quadro bastante tetrico e repellente, e ao mesmo tempo digno de compaixão vêr estes pobres desgraçados arrastarem-se pelas vias publicas a mendigar esmolas com voz plangente.

Echo Macaense, 9 de abril de 1899

Os melhoramentos da cidade tinham vencido a antiga traça portuária e, de certo modo, descaracterizado a velha Macau (…). Ainda se podiam ver vestígios (…) no bairro chinês já explorado para turismo mas que mantinha o cheiro de Macau, o último a desaparecer (…). Esse cheiro de esgoto, peixe frito, de roupa que seca e volta a ser molhada pela chuva, não sendo retirada a tempo dos arames, roupa duma obscenidade inocente que mostra a pobreza mal amordaçada, que grita, não nos remendos, mas na imitação da moda, é um cheiro familiar.

A Quinta Essência de Agustina Bessa-Luís, 1999

A cidade Yung-ning vista do mar é bonita, e a sua muralha de ameias recortadas é imponente e finge ser uma boa fortificação. Desembarcando-se, porém, acha-se um chavascal immundo, e um recinto acanhado, cheio de casas em ruinas, habitadas por gente miseravel.(...)

A cidade chineza de Amoi é um chavascal, immunda e triste como são todas as cidades do celestial imperio, que tenho visto. As ruas estreitissimas, além de ingremes, e em fórma d'escadas. Finalmente ha por toda a parte porcaria de tal ordem, e tanta miseria que vista uma vez não se pôde tornar a vêr! 

De Macau a Fuchau - Recordações de Viagem, cartas a J.M. Pereira Rodrigues de Gregório José Ribeiro, 1866
Enviar um comentário