Como são as orações dos chineses nos pagodes? Dificil é dizer, na verdade. Em primeiro lugar, pelo desconhecimento da língua, e em segundo lugar, porque eles não se prestam, fàcilmente, a transmitir-nos certas particularidades íntimas do seu modo de ser, com receio que os redicularisemos. Entretanto, valendo-nos da amabilidade duma pessoa amiga muito em contacto com a vida chinesa de Macau, aproveitamos a oportunidade para arquivar o texto que nos foi apresentado, como a principal oração que os chinas dirigem aos espíritos bons, quando presisam um grande favor,
Hómê-tó-fat-san-cam-sec
Siong-hou-Kong-fú
Mou-tang-lan
Pac-hou-iung
Si-tó-cam-mok
Cheng-chang-si-toi-hoi
Cong-chung-fá-fat
Mou-sou-iat -fá-Pou-sat
Chung-iec-mou-pin
Sipa-pat-iung-tou-chung-sang
Tó-chung-cau-pan-ham-lang
Pai-pei-ong
Ná-mó-sai-fong-cat-loc-sai-cai-tai-chi-tai-pei
Hómê-tó-fat
Ná-mó-kung-sai-iam-Pó-sat
Ná-mó-kung-sai-iam-Pó-sat
Ná-mó-tai - sai-chi-Pó-sat
Ná-mó- tai-sai-chi-Pó-sat
Nd-mó-tai-sai-chi-Pó-sat
Ná-mó-cheng-chieng-Pó-sat
Ná-mó-cheng-chieng-Pó-sat
Ná-mó-cheng-chieng-Pó-sat
Kau-pan-lin-fá- wai-fú-mou-fá-hoi-kiu-fat-iung- mou-sang-pat-hoi-Pó-sat-wai-pund-lei.
Hómê-tó-fat e Mou-sou-iat-fá-Pou-sat, são nomes de divindades invocadas. Quanto à tradução desta oração, cuja transcrição para a nossa língua já é susceptível de erros insuperáveis, devido à impossibilidade de reproduzir na nossa pronúncia os tons musicais da língua chinesa -como melhor forma que encontramos para exprimir esta dificuldade - não passa duma tentativa de reprodução da ideia que encerra, em conseqüência da forma como chegou ao nosso conhecimento.
A ideia, parece ser esta: Hómê-tó-fat, pensai bem no serviço que vos é implorado, Oh vós, que alumiais sem luz, que ides tão longe, empunhando o cerro doirado, boiando pelo grande mar! Vós, Mou-sou-iat-fá-Pou-sat, luz natural, que nascestes sem asas nem cauda mas que passastes, voando, por dezoito jardins, até chegar à montanha onde viestes a éste mundo, fazei acabar todas as armarguras no maior socego. Peço por todo o mundo Presente, grande paz e grande harmonia.
As preces repetidas três vezes, são rogos dirigidos a reis mortos, pedindo protecção. A parte final era uma espécie de invocação a Kun-lam -a deusa da Misericórdia- para que ela fizesse abrir tôdas as flores de lotus que, contemplando o Santo, o fizessem vir em nosso auxilio. A interferência da flor de lotas é explicada pelo facto de a lenda dizer que a Santa Maria China do Pagode da Barra, veiu ali ter boiando sôbre o Iotus, a flôr mística do Oriente.
Tudo isto foi dictado por uma religiosa ou bonza chinesa - acrescentam as informações que nos foram prestadas - e tudo se esvae na indecisa penumbra dos Pagodes...
Cênas da Vida de Macau de Jaime do Inso. 1927 (apud Cadernos Coloniais, nº 70, 1950)
Imagem do Templo de Lin Fong
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