A face Han

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Largos do Senado e de S. Paulo, Ruas da Palha e de S. Paulo

Estou sentado no largo em frente ao Leal Senado. (…) Estou numa praça aberta aos gestos e aos ruídos, onde os demónios também não se sentirão à vontade, entre triciclos puxados por velhos e pacientes chineses. Outros, não menos velhos, coçam os dedos dos pés e lêem jornais. (…)

Sou mesmo capaz de afirmar que o queixo daquela jovem chinesa, sentada num banco ao lado do meu, conseguirá derrotar todos os espíritos malignos. Ninguém me disse. Não foi preciso. Sei reconhecer uma face Han quando a vejo, o nariz pequeno e achatado, parecido com as imagens esculpidas nas margens do Yang Tsé Kiang, na Estrada da Seda, ou nas pequenas imagens de terracota que se vendem aos turistas, em Cantão. 

Inominável segredo de António Augusto Menano. 1993

Visitei também um dia uma fabrica de fiação de seda, sita na rua do Hospital. É um estabelecimento importante e pareceu-me soffrivelmente installado. Emprega grande quantidade de raparigas chinezas, geralmente de uma fealdade inexcedivel. Nem a frescura da mocidade...

No Oriente, de Napoles á China (diario de viagem), Adolpho Loureiro. 1896

Em Emília Andrade havia essa soberba natural que caracteriza a mulher de Macau que ía à Ópera coberta de diamantes, fosse casada ou viúva. A preguiça era nelas uma forma de distinção. (…) De molares altos que, pelo visto, cresciam com a idade, como acontece com as orelhas dos homens brancos. (…)

Emília Andrade era exemplo desse cruzamento de sangues, e algo havia de enigmático nela para lá da fisionomia que, até aos trinta anos, foi arrebatadora. Depois, os molares desenvolveram-se no rosto demasiado seco de carnes, o andar tornou-se arrastado, perdendo a graça deslizante. (…) Olhos de chinesa que, quando se ria, se reduziam a um traço negro e lhe davam um ar de máscara. 

A Quinta essência de Agustina Bessa-Luís. 1999

São differentes as physionomias dos naturaes do meio dia da China, pois que se verifica ali a existencia de quatro grupos de população, cujos traços geraes são conhecidos pelas denominações de: Punti, Hakka, Hiaolo e Tankia. 

Formando o Punti o grosso da população de Kuong-tung (Cantão) e Kuong-si, bem poderemos dizer que os chins de Macau na sua generalidade apresentam os caracteristicos d'esta sub-raça. A cabeça n´estes é quasi espherica, apresentando um pequeno achatamento na parte anterior. As faces são carnudas; a boca rasgada; os labios grossos e descorados; o nariz achatado; os olhos bastante distanciados entre si, de cor escura, semi-abertos e obliquos.

Quanto a barba, têem pouquissima ou quasi nenhuma. O cabello é preto, abundante e corredio; a tez trigueiro-pallido-esverdeada. Ha ainda alguns, cruzados com malaios, que apresentam os mesmos traços geraes, com a differença de terem os beiços mais trombudos, e a côr da cara mais bronzeada. Por excepção vêem-se chins de tez alva, nariz aquilino, etc, porém, é raro que não tenham olhos de amendoa, permitta-se-nos a expressão.

Macau e os seus habitantes, relações com Timor de Bento da França. 1897

A côr da pelle é em geral muito trigueira por estas partes; mas ha gente branca e até muito branca, principalmente em o norte do imperio; caras redondas, maçãs do rosto proeminentes, olhos pequenos, e nariz achatado …mas acham-se assim mesmo bellos olhos, escuros, - azues ou verdes, não; e narizes aquilinos, quando ha mescla de sangue estrangeiro. As mãos é que, em geral são lindas, e os corpos airosos.

Um passeio de sete mil leguas, cartas a um amigo de Francisco Maria Bordalo. 1854
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