O geito para os machinismos

Hedda Morrison. China 1933-1946 Hedda Morrison. China 1933-1946 
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Hedda Morrison. China 1933-1946 Hedda Morrison. China 1933-1946 
Hedda Morrison. China 1933-1946 Hedda Morrison. China 1933-1946 
Hedda Morrison. China 1933-1946 Hedda Morrison. China 1933-1946 
Hedda Morrison. China 1933-1946 Hedda Morrison. China 1933-1946 
Hedda Morrison. China 1933-1946 Hedda Morrison. China 1933-1946 
Hedda Morrison. China 1933-1946 Hedda Morrison. China 1933-1946 
Hedda Morrison. China 1933-1946 Hedda Morrison. China 1933-1946 
Hedda Morrison. China 1933-1946 Hedda Morrison. China 1933-1946 
Hedda Morrison. China 1933-1946 Hedda Morrison. China 1933-1946 
Hedda Morrison. China 1933-1946
Hedda Morrison, China 1933-1946

Ha innumeros artistas mecanicos, de incontestável habilidade, mas nunca chegam a attingir a perfeição dos nossos, em nenhum genero de obra. Pega em qualquer artefacto chinez -de ouro, prata, marfim, pau -do que quizeres, - lá encontrarás os angulos mal boleados, o polido defeituoso, uma ou outra falha bem notavel; quanto a mim, a imperfeição é um dos primeiros caracteristicos das obras chinezas. (...)

Não quero repetir as patranhas que a seu respeito se tem dito, em bem ou em mal, desde as exagerações apologeticas do sr. José Ignacio d´Andrade, até ao vulgo dos ignorantes, que reputa o Celestial Imperio como um receptaculo de idiotas e covardes: considero estas cartas como uma brincadeira, mas sem mentira, porque nem a zombar minto, - não é uma obra de erudição, e por isso não concedo a pessoa alguma o direito de me exigir taes e taes cousas; distraio-me com isto de trabalhos mais serios, e dar-me-hei por contente se te entretiver a ti e a mais alguem que, por pura ociosidade, se resolva a ler estas paginas. 

Um passeio de sete mil leguas: cartas a um amigo, Francisco Maria Bordalo. 1854

Em tudo se revela o genio do china, com inclinação e geito para os machinismos, vendo-se por toda a parte pequenos moinhos, ou outras machinas, postas em movimento por animaes, taes como o cão e o rato, por exemplo.  

No Oriente, de Napoles á China (diario de viagem), Adolpho Loureiro. 1896

O coleccionador, o aventureiro do pequeno saque, encontra ainda hoje na China o seu terreno de colheita, de gozo, de passeio mais abundante. Milénios de arte, de bijuteria, de galanteria da preciosidade, do barroco mais desregrado, da magnificência mais desordenada, de curiosidades mais engenhosas, produziram o prazer dos grandes invasores. São os ingleses os mais disciplinados no saque.

A Quinta Essência, Agustina Bessa-Luís. 1999

O nosso mal, todos o sabem, é curar-se mais nas altas regiões do poder de personalidades e mesquinhas questiunculas, do que de encarar de frente os problemas importantes de que depende o nosso futuro como nação. Ou nós vemos muito pouco e mal, ou, com prudencia, tacto e boa vontade, seria exequivel ir creando a Macau solidos meios de vida. (...)

Os chins, por costume inveterado, fixam-se ali em subido numero, e ninguem ignora as suas aptidões manufactureiras e industriaes. Pois bem, visto que o imperio persiste em não permittir a introducção de machinas a vapor, não poderiamos nós iniciar no nosso territorio industrias que empregassem aquelle motor?

É provável que a tentativa viesse mais tarde a ser coroada de bom êxito e chamasse grande concurso de chinas, se se fosse habil em tornar-lhes patente o augmento de producção e se se soubesse excitar bem a proverbial ganancia n'elles innata. (...) Primeiro que tudo era necessario que o governo, longe de difficultar, facilitasse o estabelecimento de fabricas e congeneres officinas; depois tornava-se necessario catechisar os capitães macaistas para virem animar estas emprezas de preferencia a darem entrada nos bancos inglezes de Hong-Kong; sobresaindo, por fim, a necessidade de não descurar todas as possiveis tentativas de encarreirar para aquellas paragens navegação portugueza. Já estamos a ver as objecções que vão fazer-nos: dir-nos-hão provavelmente que nos lembremos do são costumado dos chinas, o habito para elles faz lei; recordar-nos-hão as philaucias dos macaistas e o quanto estão desfalcados hoje os seus bens de fortuna. Tudo isto tem peso, é verdade, mostra-nos que hão de surgir difficuldades, mas não colhe desarmar por completo as nossas esperanças e aspirações.

É certo que os chins não acceitam innovações sem grande reluctancia, não pode negar-se aos macaistas a falta de capitães e a tendencia para habitos ostentosos, todavia tambem é incontestavel que os ultimos têem artes de levar aquelles a entrarem em todas as negociatas que lhes convém explorar. Afora isto, com todos os seus defeitos, têem os filhos de Macau uma grande qualidade: o sentimento de amor pela sua terra prevalece n'elles acima de tudo. Ora, se é verdade que não ha energia sem amor, tambem não é menos certo que a dedicação gera o interesse e a actividade. Tentemos sempre, sejamos os primeiros a dar o exemplo, que os nossos irmãos de alem mar hão de secundar-nos o esforço nobre. (...)

Macau e os seus habitantes, relações com Timor, Bento da França. 1897 

Uma industria de grande importancia na China é a da porcelana, cujas maiores e mais antigas fabricas são as da provincia de «Kiang-si», notavelmente as da cidade de «King-te», onde funccionam mais de 500 fornos, empregando centenas de milhares de operarios. Os verdadeiros trabalhos em «sangue de boi», «claros de lua» e «craquelés» (rachados) especialidade do seculo xiv, o mais florescente para a industria ceramica na China, já hoje se não encontram senão nas mãos de alguns colleccionadores ricos do celeste imperio. 

É verdade que ha objectos n’aquelle genero pelos museus e na posse de muitos particulares na Europa e na America, mas no dizer dos entendidos não são mais que perfeitas imitações, de que na China ha fabricas especiaes, como, por exemplo, uma que existe na cidade de Su-tcheu, de onde sáem obras que illudem os mais habeis conhecedores de antiguidades. (...)

Em marfim fazem ainda as pedras do jogo de xadrez para exportação, facas de cortar papel, caixas, molduras, pentes, e muitos outros objectos altamente apreciados na Europa. O que, porém, desperta mais a nossa attenção são umas bolas maiores que as do bilhar, em que elles fazem uns buracos para metter instrumentos apropriados com que vão torneando uma outra bola no interior, e dentro d’esta outra e outra, de fôrma que o conjuncto se compõe de oito ou doze espheras mettidas umas nas outras, e todas feitas do mesmo pedaço de marfim.

Cousas da China, costumes e crenças, Callado Crespo. 1898
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