A astronomia tradicional chinesa e o zodiaco

«Wei-Sung» no 14.° anno de «Tao-kwang» (1835), publicou uma obra em 22 volumes e um appendice, na qual trata de mais de 2:200 assumptos differentes, e de onde o reverendo A. P. Parker tirou alguns apontamentos para a memoria que apresentou á «Suchow Missionary Association» e de que nós extrahimos o seguinte: 

decorações de Ano Novo Chinês 2015«No tempo da dynastia «Shang» (1766-1154 A.C.) o céu era considerado a uma distancia de 116:150 «li» acima da terra; e no tempo da dynastia «Han», isto é, no principio da era christã, calculou-se que o céu se movia na rasão de 680 «li», no mesmo tempo que o homem faz uma inspiração e expiração, e como respira 13600 vezes em 24 horas, o céu move-se percorrendo uma distancia superior a 9.000:000 de «li» por dia. Os primeiros mappas astronomicos appareceram no reinado de «Hwang-ti», que, segundo os melhores auctores, começou em 2787 A.C; epocha muito anterior áquella em que se calculou a distancia do céu á terra. No reinado de «Kia-yeu», da dynastia «Sung» (1056 D.C.) o estudo da astronomia foi prohibido, excepto a quem para isso tivesse especial permissão, pois que as prophecias contra a dynastia reinante eram os principaes meios de que os rebeldes se serviam para chamar o povo á revolta contra o imperador. Os eclipses tambem foram estudados no tempo da dynastia «Han», suppondo-os causados pelo encontro da sombra da lua, que se move de L. para W. com a do sol que, em caso de eclipse, se move de W. para L. Estas noções de astronomia, e as contidas no compendio de «Tsin-Iai» são ainda hoje cultivadas por aquelles que desejam ter ingresso na «junta imperial astronomica» que ainda tem a mesma organisação que lhe foi dada no tempo da dynastia «Ming» (1328-1628 D.C).»

Wells Williams no seu livro Middle Kingdom, sem remontar as suas investigações a uma epocha tão remota, apresenta-nos os conhecimentos actuaes dos chinezes em materia astronomica, e de que daremos um pequeno resumo. O astronomo «Tsin-lai» (1820) publicou, além do compendio de que já fallámos, muitas outras obras da sua especialidade, nas quaes considera o céu formado por dez espheras ocas e concentricas, tendo por nucleo a terra que gira sobre o eixo da eclyptica: a primeira contém a orbita da lua, a segunda a de Mercurio, e assim successivamente para Venus, Sol, Marte, Jupiter, Saturno; a 8ª contem as orbitas das vinte e oito constellações; a 9ª serve para fazer girar as oito anteriores; e, finalmente, a 101ª representa a morada do celestial soberano creador do mundo, e onde estão todos os deuses e sabios gosando uma eterna tranquillidade. 

Os nomes que dão aos planetas Mercurio, Venus, Marte, Jupiter e Saturno, são respectivamente, agua, metal, fogo, madeira e terra; elles exercem a sua influencia sobre as estações do anno, correspondem, por sua ordem, aos rins, pulmões, coração, figado e estomago do homem, que os designa tambem por cada uma das cinco cores primitivas, preto, branco, vermelho, verde e amarello.

O sol é representado por um corvo n’um circulo, e a lua por um coelho sentado nas patas trazeiras e pisando arroz n’um almofariz. As estrellas estão agrupadas em constellações, e um imperador preside a ellas com as suas imperatrizes, fiIhos, filhas, tribunaes, etc., e a que dão nomes de homens, animaes e cousas terrestres. 

O Zodiaco, «Hwang-tau», estrada amarella, é dividido em 28 «Hung», constelações ou «palacios», e em 12 signos ou «mansões», designadas pelo nome de rato (o nosso Aquario), vacca, tigre, coelho, dragão, serpente, cavallo, carneiro, macaco, gallo, cão e urso. O anno chinez divide-se em 12 mezes ou luas de 29 e 30 dias alternadamente, completando-se a differença para a revolução solar com a addição de um mez, de tres em tres annos; o principio do anno não póde por isso cair em dia certo, nem antes de 28 do nosso janeiro, nem depois de 19 de fevereiro. 

Os dias não têem nome especial, e indicam-se pelos seus numeros em cada uma das 12 luas; dividem-se em 12 horas de 120 minutos cada uma, e começam ás nossas 11 horas da manhã. Desde remota antiguidade medem os chinezes o tempo por meio de vélas, sabiamente graduadas, de serradura de sandalo, argila e gomma, que elles collocam em espiral sobre armações de arame, e que ardem durante duas e tres semanas, ás vezes. Outros usam vasilhas, onde, á maneira de clepsydras, a agua corre mostrando as horas pela differença de nivel.

Cousas da China, costumes e crenças, Callado Crespo. 1898

imagem de lanterna, decorações de Ano Novo Chinês, 2015. Ano da Cabra. Av. Almeida Ribeiro

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