A cidade de Makau é habitada por portugueses misturados com os chineses

Pousada de São Tiago Pousada de São Tiago 
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A ilha e a cidade de Machau ou Makau é habitada por portugueses misturados com os chineses, com os quais eles comerceiam da costa de Cantão donde os chineses lhes trazem toda a espécie de mercadorias e aceitam deles, sem que lhes seja permitido ir a Cantão. Quando qualquer navio da Índia chega a Macau, o mandarim ou governador mede-lhe o cumprimento e a largura e depois, tendo feito as contas à medida, exige o imposto. Feito isso, permite que carreguem o navio, mas sem deixar de lhes exigir novo pagamento de outros impostos. 

Então, escolhe-se um feitor de entre os portugueses que, em nome dos outros, se dirige para Cantão para ali tratar dos negócios dos seus companheiros, sendo-lhe contudo proibido, sob ameaça de pesadas penas, pernoitar na cidade.

A cidade de Macau tem um arcebispo português que depende do arcebispo de Goa. Todos os anos vem a Macau um navio da Índia com cartas de outorga e passaporte do Rei de Portugal e navega para o Japão para aí embarcar a carga, depois regressa a Macau e vai a Malaca, e finalmente para Goa.

Os que fazem a viagem para o Japão obtêm grandes proventos principalmente quando têm boa prata para a troca e bom navio de setecentos ou oitocentos lastes, porque levam cento e cinquenta ou duzentos mil ducados de mercadorias preciosas. Essa viagem é feita habitualmente no espaço de três anos, porque partem em Abril de Goa para irem, a Malaca, e são obrigados a ficar ali algum tempo, a guardar a monção, ou seja, ventos favoráveis para irem mais longe, os quais sopram habitualmente em determinadas alturas do ano. (…)

Julgo ser de descrever as espécies de mercadorias que os portugueses aí vendem ou compram (...). É preciso perceber que existem três tipos de seda na China, uma a que chamam Lankin e que é muito boa, e outra é chamada Fuscan, que é bastante boa e a terceira chamada Lankan que é menos boa. Para além desta espécie de seda conhecem-se outras. Ainda há uma que está por fiar, a que chamamos crua, e outra que está fiada e entrançada a que os portugueses chamam retrós.

Jean-Huges van Linscot (ou Linschotten) em Histoire de La Navegation de Ien Hugues de Linscot Hollandois e de son voyage des Indes Orientales, 1610, apud Viagem por Macau de Cecília Jorge e Beltrão Coelho, 2014
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