Serviço de loiça da China com brazão

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Encommendára para a China - a um amigo, a um homem que tinha de lá ir, ao consul, fosse a quem fosse, - um serviço de loiça finissimo. com o seu nome e o seu brazão, tudo bem marcado, do mais perfeito que por lá se fazia, e enviou, n'um papel, os desenhos necessarios, escrevendo-lhes por baixo 

Meu brazão e da viscondessa 

Passado tempo chegou-lhe a loiça. É inutil registar a anciedade com que elle a esperava. A familia, gente ostentosa, fortuna, fama, e fidalguia, frescas - quatro f f f f assoprados, - assistiu ao desencaixotar da encommenda com ares faustuosos e farofios; mais dois ff!

A loiça era esplendida. O brazão estava soberbo. Mas … Em cada chavena liam-se estas palavras: 

Brazão meu e da viscondessa 

Os ratões dos Chinas tinham escripto o que para lá lhes mandaram. 
Teve que esconder a loiça. 

Mil e uma historias, Julio Cesar Machado. 1888

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