No got eye, no can see; no can see, no can go
Destinam-se estes barcos especialmente á pesca. Tambem servem, porém, para transportes. As lorchas teem em geral no mastro grande um catavento representando um peixe de comprida cauda, e no mastro da mezena egualmente compridas flamulas. Vê-se tambem pintado, na prôa de algumas d´estas embarcações, um grande olho. Em Portugal e principalmente nos calões do Algarve, pintam tambem um symbolo semelhante a um olho humano. Cremos que deve esse symbolo ter sido importado da China pelos navegadores portuguers.
A proposito citaremos uma passagem que vem em uma obra sobre a China, do escrictor allemão Haise-Wartegg. Diz assim: «Perguntando a um marinheiro chinez o porque de tão curioso ornamento, respondeu-me elle na lingua mixta chino-europea falada a bordo dos juncos, com as seguintes do seu pidgen english: «no got eye, no can see; no can see, no can go», isto é: sem olhos não vejo; não vendo, não saio».
Dentro do barco, cantam, folgam e tocam nos seus exquisitos instrumentos
É um barco usado em passeios e festas nos rios da China e em Macau. Estes barcos, como se vê, parecem grandes gaiolas fluctuantes. Na tolda trazem innumeros vasos com flores odoriferas, entre caixas com arbustos de folhas verdes e d'outras cores, disposto tudo com muito gosto. Á noite acendem as lanternas orientaes de vidros corados, que ornamentam os barcos, dando-lhes um aspecto phantastico. Só os chins pódem entrar a bordo, sendo a admissão inteiramente vedada aos europeus. Dentro do barco, cantam, folgam e tocam nos seus exquisitos instrumentos, cujos modelos se podem ver no Museu de Lisboa. A fantasia asiatica é prodiga em barcos, porque, além d´estes ha os barcos dragões, os barcos serpentes, os barcos de mandarim, que são de um luxo e de uma riqueza extraordinarios, alliados a uma extravagancia impressionante.
Brasil-Portugal, revista quinzenal illustrada, 1.Jun.1911


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