Macau está neste momento, a entrar numa nova fase de desenvolvimento económico: depois do crescimento acelerado obtido nas duas últimas décadas, potenciado pelo desenvolvimento de Hong Kong e pela progressiva abertura da República Popular da China ao exterior, o território sob administração portuguesa pretende responder aos desafios do final do século, transformando-se numa plataforma de serviços e cimentando a sua vocação de «trader» entre as economias asiáticas em rápido desenvolvimento.
Durante a década de 70, o crescimento acelerado da economia macaense ficou a dever-se ao desenvolvimento exponencial registado por Hong Kong, quando os dragões asiáticos se encontravam, ainda, adormecidos.
O território crescia mais pela acção externa da vizinha colónia britânica, onde o mercado de capitais se afirmava como o terceiro mais activo do mundo, do que pela dinâmica interna da sua economia. Situado na costa chinesa, Macau baseava a sua estrutura produtiva num sector industrial eminentemente exportador, aproveitando as facilidades na importação de matérias-primas e na exportação de produtos acabados para o mercado internacional.
A criação e expansão deste importante sector industrial virado para a exportação em Macau deve-se, essencialmente, a um processo de transferência de produção de Hong Kong, motivado por dificuldades de escoamento dos produtos manufacturados na colónia britânica, provocado pelo estabelecimento de quotas, especialmente, no que respeita à indústria têxtil. O crescimento acelerado do território permitiu o desenvolvimento de sectores como o imobiliário, obedecendo à necessidade de um maior número de fogos para habitação e de instalações industriais numa região fisicamente limitada pela água e pela fronteira com a República Popular da China.
Esta situação marca a realidade económica do território durante a década de 70 até que, em Agosto de 1980, o Governo da República Popular da China decide criar as três primeiras Zonas Económicas Especiais: Shenzen, Zhuhai e Shantou. É dado o primeiro passo da nova política económica determinada por Pequim, traduzida no lema «um país, dois sistemas», que transforma a província de Guangdong (onde se inclui Cantão) na região da República Popular da China que mais altos índices de crescimento apresenta.
As ZEE vêm alterar, rápida e completamente, as relações económicas, tanto de Hong Kong como de Macau, com a República Popular da China, iniciando-se uma nova era de transformações profundas que se estenderão, certamente, para lá do final do século e depois da passagem dos dois territórios para a administração chinesa.
Para a República Popular da China, o imenso país de mil milhões de habitantes é um lago ao qual foram lançadas duas pedras – Hong Kong e Macau. Essas pedras formaram ondas que se propagarão, com o território, por todo o lago. (…)
As profundas mudanças verificadas na região, especialmente, na segunda metade da década de 80, obrigaram a transformações da estrutura económica de Macau com a progressiva perda de peso relativo da indústria e a ascensão dos sectores de serviços e do turismo, o que se procura agora potenciar com a construção do Aeroporto Internacional de Macau que deverá estar operacional no final do próximo ano.
A transformação da estrutura económica macaense está bem patente no facto das receitas do turismo terem ultrapassado, em 1992 e pela primeira vez, o valor das exportações de mercadorias que, depois de um crescimento médio anual que chegou a atingir os 10 por cento, entre 1982 e 1987, tem registado uma evolução negativa.
No ano passado, o número de pessoas que visitaram Macau ultrapassou os 7,8 milhões (…). Em 1992, Macau registou o mais elevado índice de crescimento económico dos últimos anos, com o PIB a registar uma evolução positiva de 12,1 por cento (…).
Homem Magazine, Novembro de 1994





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