Uma população jovem
Com uma população que ronda o meio milhão de habitantes mas que revela uma tendência para crescer na ordem dos 4% ao ano, Macau assiste ao cruzamento de pessoas que, provenientes de Hong Kong ou da China ali acorrem, tornando o território no mais densamente povoado do mundo, Território aberto, onde apenas questões de segurança impedem que as portas sejam franqueadas, no dizer dos responsáveis oficiais, Macau apresenta uma população residente variável. O sentido errático do seu crescimento prende-se normalmente com as contingências políticas vividas na República Popular da China. (…)
Macau possui assim uma população relativamente jovem, em que a espectro principal se situa entre os 15 e os 50 anos de idade. Cerca de 40,2% dessa população é natural de Macau. Dos restantes 50,4% é natural da RPC e os restantes de outros países ou territórios, pelo que fácil se torna perceber que a maioria da população é formada por imigrantes. (…)
O quotidiano de Macau é vivido a um ritmo intenso. Fervilhante de vida que começa logo aos primeiros alvores do dia e se estende até altas horas da noite, para o visitante Macau parece incapaz de se deter. (…)
Mas há ainda tempo para ir ao mercado, para reparar na forma como se comercializa nas ruas, para visitar os chamados «tim-tins», casas de antiquários que se espalham pelas vielas mais antigas da cidade e que fazem com que nos detenhamos em busca de uma ou outra preciosidade, por vezes arrumada bem ao canto, à espera do olhar atento de um conhecedor de arte chinesa. Aliás, é a pé que Macau se torna conhecida ao visitante e sobretudo porque a qualquer hora do dia ou da noite a segurança de pessoas e bens e inquestionável. Em Macau, o índice de criminalidade é muito baixo, vivendo-se em invejável segurança. (...)
Considerado como porto de abrigo para todos os refugiados dos dramas asiáticos, Macau é apontado como um hino à capacidade dos portugueses em viver e deixar viver e à miscigenação, constante em toda a gesta, que no território chegou a assumir uma dimensão de tal forma «sui generis» que lhe permitiu ter língua própria, o «patois», a «Doci Lingu di Macau», no dizer dos filhos da terra, em completa decadência.
Homem Magazine, Novembro de 1994








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