Altar na Rua das Estalagens

altar altar
altar altar

Buddhismo


Só quem teme o Não ser é que se assusta 
Com teu vasto silencio mortuario, 
Noite sem fim, espaço solitario, 
Noite da Morte, tenebrosa e Augusta... 

Eu não: minh'alma humilde mas robusta 
Entra crente em teu atrio funerario: 
Para os mais és um vacuo cinerario, 
A mim sorri-me a tua face adusta. 

A mim seduz-me a paz santa e inefavel 
E o silencio sem par do Inalteravel, 
Que envolve o eterno amor no eterno luto. 

Talvez seja peccado procurar-te, 
Mas não sonhar contigo e adorar-te, 
Não ser, que és o ser único absoluto.

Anthero de Quental 

Brasil-Portugal, revista quinzenal illustrada, 1.out.1900 

Sem comentários: