De que espécie de homens devemos fugir
Diz o philosofo chinez Confucio, que o sábio deve fugir de muitas classes de homens. Deve fugir dos que publicão os defeitos d´outros, e se lisongeão em falarem n´elles. Deve fugir dos que não estando adornados senão de qualidades mediocres, e sem nascimento distincto, murmurão temerariamente contra os que tem sido elevados ás dignidades do estado. Deve fugir d´um homem valente quando o seu valor não é acompanhado de civilidade e prudência. Deve fugir d´aquella classe de homens que, cheios sempre de amor proprio, convencidos do seu merito, e idolatras dos seus sentimentos, atacão tudo, de tudo tem de dizer, sem nunca consultarem a razão. Deve fugir dos que com mui pouca capacidade não tem vergonha em censurar o que os outros fazem. Deve fugir dos homens soberbos. Deve, finalmente, fugir dos que costumão descobrir os defeitos alheios, publicando-os.
O Museu Portuense: Jornal de historia, artes, sciencias industriaes e bellas artes, 1838




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