Peixe e Consigo voar II da série Sou Um Anjo
escultura de madeira, 2013, de Tong Chong
A China é a terra das complicações, das situações difíceis e dos imprevistos, até neste capítulo da intriga. Isto passou-se há muitas dezenas de anos: o Comandante da antiga canhoeira Rio Lima (...), tinha de dar uma festa a bordo, em Macau, e fez os seus convites.
Mas, devido a fortes rivalidades femininas do meio, à última hora as senhoras de Macau fizeram-lhe constar que faltariam em massa ao convite se lá fosse certa dama macaense de renome na colónia.
O Comandante, ante a eminência de um tal incidente para todos tão desagradável, recorreu àquela diplomacia que tantas vezes é exigida a um oficial de marinha e resolveu escrever uma carta à famosa baronesa X, em termos que a história não conserva mas que, certamente, não seriam incorrectos e na qual, é de presumir, exporia o melindre da situação e pedindo-lhe, talvez, que não comparecesse a bordo.
A baronesa, que era mulher culta e decidida, conhecendo a Europa e que, como vulgarmente se diz, não tinha papas na língua, chamou um filho pequeno que tinha e fê-lo escrever uma carta ao Comandante, pouco mais ou memos nestes termos:
Exmo Sr.
Tenho muita pena de ser tão pequeno e não ter idade para poder dar um tiro no homem que escreveu aquela carta a minha Mãe!
Tal é o que reza a tradição.
O Oriente tem destas coisas e muitas mais.
O Caminho do Oriente de Jaime do Inso, 1931


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