Kung Hei Fat Choi

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Pum! Pum! Pum! Kung Hei Fat Choi, que é como quem diz, felicidade, prosperidade e riqueza – aí estão as celebrações do ano novo chinês. Entre Janeiro e Fevereiro, e no momento exacto do solstício que traz o frio ao sul da China, sucede o Ano Novo Lunar. Desta vez, o Cavalo cede lugar à Cabra. 

Seja qual fôr o signo e a simbologia, Macau está sempre na vanguarda da festa do ano novo lunar. A propaganda turística refere Macau como o local da China onde estas celebrações são mais levadas a peito e mais espectaculares.

Durante quase uma semana, toneladas de foguetes, bombas e fogo de artifício – genericamente designados de panchões – explodem por toda a cidade, a um nível de decibéis que nos fazem reiventar o quotidiano.

Um exemplo: você está a dormir, sossegado, e às cinco ou seis da madrugada, dá um salto da cama, com explosões de panchões na varanda do vizinho. 

Comemorar o ano novo chinês é, para o povo do sul da China, uma oportunidade para extravasar sentimentos e pisar o risco das convenções e das regras sociais que se cumprem durante um ano, sem férias e sem festa.

Em Macau, é o único periodo do ano em que encerram lojas e fábricas que laboram continuamente, mesmo aos domingos. Os patrões oferecem lai-sis aos empregados – saquinhos de papel, vermelhos, com dez ou vinte patacas, para darem sorte. (...)

Antes da passagem do ano, há que pagar as dívidas e fazer muitas compras. Por isso é que, nesta época, Macau – que é das cidades mais seguras do mundo – acusa a maior percentagem de roubos e assaltos. Na ânsia de pagarem as dívidas, alguns imigrantes da China não olham a meios …

Também os adivinhos e cartomantes não têm mãos a medir, tão assediados que são – até já por portugueses, que querem saber o que o que os espera no novo ano.

O ano do Cavalo não foi muito bom, nem para a China nem para Macau. Na China foram perseguidos e presos inúmeros estudantes e intelectuais, activistas do movimento pró-democracia; em Macau caiu, com estrondo e escândalo, um governador.

Kung Hei em P´la China fora. António Duarte, 1991

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