Um chinês nunca escreve um tratado de dez mil ou mesmo de cinco mil palavras

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Travessa dos Alfaiates

Um Chinês nunca escreve um tratado de dez mil ou mesmo de cinco mil palavras para assentar uma dada proposição. Faz uma simples nota sobre o assunto e deixa que a posteridade sustente ou reprove a afirmação pelo seu mérito intrínseco. Por essa razão é que os letrados nos legaram tão grande número de “cadernos de notas” chamados shuipi ou pichi,compostos de parágrafos não classificados; aí se encontram opiniões sobre a autoria das obras literárias e correções de erros descobertos nos arquivos históricos, misturados com histórias de gêmeos siameses, de espíritos de raposa, e com esboços sobre um herói de barba ruiva ou sobre um eremita que se alimentava de centopéias.

Lin Yutang em Minha Terra e Meu Povo, apud Paulo de Tarso Cabrino Júnior, Camilo Pessanha e o Tao Te ching: um capítulo

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