Eis-nos chegados (...) a questão da arte na China. (...)
Para a maioria dos nossos artistas a arte significa o constante caminhar no sentido de um alvo determinado, para atingir, o qual não cessam de descobrir caminhos novos, e, paralelamente, estilos e formas novas. (...)
Ora, se compararmos (...) notaremos uma diferença flagrante, quer no que se refere à posição do artista em face do objecto que interpreta ou retrata, quer quanto à forma, quer ainda quanto ao clima psicológico que imprime às suas produções. (...)


Pela observação de uns quantos exemplares da arte pictórica da China, alguns dos quais vão até ao ano de 907 da nossa era, de pronto se conclui que a pintura seguiu nesse país caminhos bem diferentes. Os autores não manifestam aquela sede incontida de renovação que caracteriza os pintores europeus; eles continuam a trabalhar os seus motivos tradicionais, dando vida nova e frescura aos elementos originários da sua terra. A pintura da natureza, das aves e flores, consideradas as formas superiores da expressão pictórica na China, tem raízes bem fundas no solo pátrio. É uma arte tradicional (...)
É que as aves e as plantas traduzem a corporização dum princípio filosófico dos chineses. De harmonia com ele, os seus artistas crêem-se dotados de um conhecimento «interior» (...).


A poesia e a pintura acham-se estreitamente ligadas, tanto que muitas composições pictóricas foram buscar os seus temas aos versos do lirismo antigo, e muitos pintores famosos da China foram também poetas. (...)
Énio Ramalho em Coexistência Cultural. Palestra proferida pelo reitor do Liceu Nacional Infante D. Henrique, a 11 de Maio de 1964, no Leal Senado, por ocasião do enceramento da «semana do ultramar»









Sem comentários:
Enviar um comentário